sábado, 12 de dezembro de 2009

Blog ou Wiki?

Recentemente, ao frequentar uma acção de formação, tive a oportunidade de aprender bastante acerca dos recursos Wikis e blogs. Confesso que, no início, senti alguma dificuldade em distingui-los, pois ambos os recursos facilmente permitem a publicação de textos, bem como a recepção de feedback. Contudo, é importante assinalar que existem diferenças significativas e importantes entre estas ferramentas, sobretudo no que diz respeito ao modo de organização da informação a publicar, o número de utilizadores e aquilo que pretendem.

Um wiki é um site na internet destinado a um trabalho colectivo e colaborativo de um grupo de autores. A sua estrutura é semelhante a de um blog, no entanto permite que qualquer utilizador possa editar e apagar os conteúdos que outros utilizadores tenham criado. Este recurso permite a criação de páginas de um modo muito fácil, bastando para isso clicar em determinadas funções para se produzir um texto.

Um blog é uma página na internet, que é frequentemente actualizada por mensagens ou posts (pensamentos, textos, comentários pessoais, imagens, links, etc.). As mensagens são apresentadas cronologicamente, sendo as mais recentes apresentadas em primeiro lugar.

Para um melhor entendimento dos dois recursos, será conveniente enunciar as seguintes particularidades:

Wikis:

  • assumem geralmente uma autoria colaborativa,
  • organizam tipicamente a informação segundo tópicos;
  • possibilitam o desenvolvimento de informação e a criação de bases de dados, não só permanentes, mas também flexíveis;
  • permitem ao utilizador as funções de: juntar, editar e apagar temas ou dar feedback, directamente na página visualizada;
  • incentivam a partilha de conhecimento segundo tópicos;
  • tornam a publicação e partilha de informação na internet de uma forma extremamente fácil;
  • como estratégia educativa é normalmente utilizado por grupos de alunos com o objectivo de desenvolver um projecto colectivo ou de turma, a publicar na Internet.

Blogs:

  • o cariz é frequentemente mais pessoal, pois é essencialmente produzido por um único autor;
  • apresentam a informação sob uma forma cronológica (por se tratar sobretudo de um registo histórico, a informação raramente é alterada);
  • têm um mecanismo próprio para os comentários dos seus leitores;
  • são normalmente uma partilha de pensamentos;
  • permitem a sua utilização ao nível pessoal, mas também colectivo;

Relativamente à sua exploração educativa, o wiki é ainda uma ferramenta pouco conhecida no nosso meio educativo. Contudo, as vantagens educativas deste recurso são bastante significativas. Podemos destacar as seguintes:

  • trata-se de optimo processo de aceder ou disponiblizar a informação;
  • permite a interacção e colaboração dinâmica entre os alunos;
  • possibilita a apresentação de linhas de trabalho a desenvolver para determinados objectivos;
  • facilita a troca, o alargamento e aprofundamento de ideias;
  • diversifica actividades (glossários, dicionários, bibliografias, livros de texto, manuais, repositórios de aula, etc.);
  • possibilita a visualização de todo o historial de alterações efectuadas, permitindo ao professor avaliar a participação e o trabalho registado por cada aluno;
  • apresenta estruturas de conhecimento partilhado e colaborativo, tendo em vista a potencialização do processo de aprendizagem;
O blog é provavelmente a ferramenta educativa mais conhecida da internet. Sugere-se, de seguida, algumas das suas potencialidades educativas:
  • desenvolvimento da comunicação e pensamento critico;
  • possibilidade de utilização ao nível pessoal ou colectivo;
  • construção de portfolios digitais individuais e/ou de grupo;
  • disponibilização de espaços de intercâmbio; colaboração, debate ou integração;
  • inclusão de sites de interesse;
  • acesso a informação especifica.
Podemos concluir, então, que tanto os wikis,como os blogs são excelentes recursos pedagógicos, pois apresentam inúmeras vantagens e possibilidades educativas. Parece-me evidente que ambos poderão tornar o processo de aprendizagem mais cativante para os alunos. As aulas poderão ser igualmente mais motivantes para o professor. Normalmente os alunos gostam de utilizar as novas tecnologias e tanto os wikis como os blogs podem contribuir, não só para uma maior motivação dos alunos no seu processo de aprendizagem, como também para a melhoria dos seus resultados escolares. Estes recursos facilitam a comunicação entre alunos e professores, pois a informação é facilmente disponibilizada e consultada, dentro e fora do espaço escolar. Por outro lado, o aluno adquire um papel mais activo, pois com um simpes computador, em qualquer momento, pode criar e partilhar textos, de uma forma simples e inovadora.

sábado, 5 de dezembro de 2009

Pedagogia diferenciada e as novas tecnologias

Actualmente fala-se, com alguma frequência, em Diferenciação Pedagógica e/ou Pedagogia diferenciada no nosso ensino. Há algum tempo atrás decidi pesquisar um pouco acerca destes conceitos, pois inúmeras e diferentes interpretações eram feitas por colegas. Confesso que, após algumas leituras, a ideia que eu tinha acerca destes conceitos não estava muito desfasada daquilo que li.

Diferenciação pedagógica assenta sobretudo na necessidade de reconhecer/aceitar as diferenças nos nossos alunos (culturais, de ritmos e estilos de aprendizagem, interesses, capacidades e motivações) e encontrar/definir estratégias de actuação que a todos inclua no processo ensino aprendizagem.

Esta tarefa faz todo o sentido para qualquer docente cujo objectivo seja o desenvolvimento e o sucesso dos seus alunos. Contudo, poderão surgir algumas dúvidas, nomeadamente no conceito diferenciar: Como devemos diferenciar o ensino?; A quem se dirige esta diferenciação? A todos os alunos ou apenas aos alunos com mais dificuldades?

Actualmente, o objectivo primordial não deve ser apenas o de ensinar, mas sobretudo o de criar condições mais adequadas para que todos os alunos aprendam efectivamente. Assim, ao dar uma maior revelância à aprendizagem em detrimento do ensino, inevitávelmente, o professor terá que reconhecer os diferentes estilos dos seus alunos e consequentemente aplicar diferenciação pedagógica.

Partindo desta ideia, a diversidade de actividades pode ajudar todos os alunos a alcançar o sucesso. Segundo Perrenoud, significa não só "romper com a pedagogia magistral - a mesma lição e os mesmos exercícios para todos ao mesmo tempo", mas sobretudo "por em funcionamento uma organização de trabalho que integre dispositivos didáticos, de forma a colocar cada aluno perante a situação mais favorável ao seu processo de aprendizagem".

Confesso que senti alguma resistência a esta abordagem de ensino. Não é fácil implementar diferençiação/individualização quando alguns professores, para além de ter a seu cargo a tarefa de trabalhar com 150 alunos (ou até mais), necessitam de despender muito do seu tempo com tarefas burocráticas que o actual estado do ensino no nosso país assim o exige.

Ainda de acordo com Byers e Rose, as actividades só poderão ser adequadas aos diferentes alunos quando:
- são relevantes, levando em conta as suas experiências, interesses e motivações;
- respeitam os diferentes ritmos de aprendizagem;
- promovem a autonomia e a investigação;
- estão organizadas numa perspectiva de problemas a resolver.

Ora, parece-me que o uso das novas tecnologias poderá ser uma excelente ferramenta de trabalho no auxílio a todos os alunos e na implementação de diferenciação pedagógica. A utilização de blogues, wikipedias e e-portfolios possibilita a troca de experiências entre os alunos, desenvolvendo não só a linguagem, mas também o processo de aprendizagem. Por outro lado, o alunos poderão realizar actividades de acordo com os seus interesses e experiências, desenvolvendo ao mesmo tempo as capacidades de autonomia, cooperação e investigação.

Mediante a utilização dos recursos blogues, wikipedias, e-portfolios na sala de aula ou fora dela, cada aluno pode assumir o papel tanto de emissor como receptor, pois tem não só a oportunidade de apresentar e transmitir informação, como também de confontrar as suas ideias com as dos outros. Estando a pedagogia diferenciada interligada a uma pedagogia de autonomia mas também de cooperação, a utilização de recursos ligados às novas tecnologias permite que todos os alunos desenvolvam as suas capacidades, respeitando as suas caracteristicas (ritmo de aprendizagem, dificuldades e/ou capacidades, vivências e interesses).

O papel do professor assume igualmente um papel diferente. O professor poderá dar especial atenção à organização dos trabalhos dos alunos, auxiliando e sugerindo o tipo de actividades e ferramentas mais adequadas a cada caso. A utilização das novas tecnologias permite uma maior flexibilidade do trabalho a desenvolver com os alunos, pois poderá ser tão diversificado quanto o tipo, conteúdo, níveis e dificuldades dos alunos.

Parece-me evidente, que se pretendemos chegar a todos os nossos alunos eficazmente e adequadamente, o uso das novas tecnologias poderá facilitar a aplicação de diferenciação/individualização no ensino. Devemos, pois, começar a encarar positivamente as novas abordagens pedagógicas, de modo a aperfeiçoar e alargar a nossa prática docente.

sábado, 7 de novembro de 2009

Blog - uma ferramenta de trabalho

Um blog é uma página na Internet onde se pode escrever acerca de conteúdos diversos e trocar opiniões com outros visitantes. Trata-se de um espaço interactivo, uma espécie de correio online com entradas cronológicas.

A criação/utilização de um blog para alunos de línguas estrangeiras oferece inúmeras vantagens, pois representa um processo de obter informação e comunicar na língua estrangeira fora da sala de aula. Os alunos podem trocar impressões entre si e/ou entre o(s) professor(s), desenvolvendo o gosto pela língua que estão a aprender. Os alunos são convidados a partilhar opiniões, materiais e saberes relacionados com os conteúdos abordados nas aulas. Esta ferramenta permite que o aluno,não só melhore a sua aprendizagem na língua alvo, bem como usufrua de um espaço lúdico-didáctico.

Ora, tendo em conta que:

-os alunos, hoje em dia, estão bastante motivados para as novas tecnologias;
- de um modo geral, as escolas dispõem de equipamento informático que poderá proporcionar a aquisição de novos conhecimentos;
- há a necessidade de consolidar novo vocabulário e estruturas morfossintáticas da língua estrangeira ligadas à utilização das novas tecnologias;
- frequentemente não são criadas, na sala de aula, as condições favoráveis à individualização do processo de ensino-aprendizagem, nem momentos de carácter mais lúdico com vista a uma maior motivação dos alunos,

faz todo o sentido a criação de projectos de intervenção pedagógica, mediante a utilização de blogs, no âmbito da língua inglesa. Deste modo, a implementação de um blog de língua inglesa poderá ter as seguintes finalidades:

- motivar os alunos para o uso da língua inglesa fora da aula, recorrendo às novas tecnologias;
- divulgar/trocar informação (trabalhos, opiniões, ideias) junto da comunidade escolar e fora dela;
- rentabilizar os recursos existentes na escola e de acordo com necessidades de um projecto de blog.

Por conseguinte, a utilização de blogs no ensino da língua inglesa poderá ter vários objectivos:

-promover o contacto com outros alunos (de outras turmas/escolas, no país e/ou no estrangeiro), utilizando a língua inglesa;
-desenvolver o gosto pelo escrita e o uso da língua inglesa;
-diversificar estratégias/actividades no ensino da língua;
-promover a criatividade dos alunos.

A dinamização de um blog permite, desta forma, o desenvolvimento de diversas actividades com os alunos: realização de fóruns de discussão (sobre temas diversos e de acordo com os conteúdos abordados nas aulas), promovendo a aquisição de novo vocabulário e estruturas morfossintáticas da língua inglesa e elaboração de materiais/recursos que poderão ser utilizados/consultados dentro e/ou fora da escola.

O plano de trabalho deverá ter como objectivo motivar o aluno para o uso da língua estrangeira e deverá ajudá-lo a consolidar os seus próprios métodos de trabalho/estudo de forma a rentabilizar a sua aprendizagem.

Como intervenientes desta nova ferramenta de trabalho estão, sem dúvida, os professores de língua inglesa e os alunos. Qualquer aluno, com poucos ou muitos conhecimentos, pode usufruir deste espaço e usar a língua inglesa dentro e/ou fora da sala de aula.

Existem, como em tudo, algumas contrapartidas que poderão dificultar o trabalho do professor e dos alunos. Por se tratar de um espaço online, um blog representa uma porta aberta para o mundo inteiro. Em qualquer ponto do mundo, qualquer visitante pode aceder ao blog e consultar/partilhar a informação contida nele. Os professores e os alunos envolvidos no blog deverão ser cuidadosos na partilha de informação, de modo a salvaguardar os objectivos pedagógicos do mesmo. A manutenção de um blog requer uma atenção constante por parte dos seus intervenientes, pois pode surgir, a qualquer altura, a necessidade de banir intrusos indesejáveis e inadequados ao projecto do blog.

Por outro lado, a implementação/criação de blogs exige determinado hnowhow aos professores implementadores. Os professores necessitam de tempo para se ambientarem no mundo on line e dos seus inúmeros recursos. A criação de um blog e a sua dinamização poderão causar inúmeras dificuldades iniciais para qualquer estreante.

É igualmente importante que as escolas disponham de equipamento informático adequado, em numero suficiente e de fácil acesso aos professores e alunos.

Por outro lado, a manutenção de um blog didáctico exige, por parte dos professores, uma monitorização e uma resposta constantes. Ora, dadas as condições actuais nas escolas, nem sempre isso é possível. Os alunos poderão exigir por parte do professor feedback e comentários aos seus posts quase imediatos e o professor normalmente não dispõe de tempo para isso.

No entanto, considero que, apesar destas contrapartidas, o blog poderá ser uma ferramenta de trabalho bastante útil, no âmbito do ensino da língua inglesa, devido às inúmeras potencialidades que referi anteriormente. Os alunos podem desenvolver as suas competências linguísticas de uma forma inovadora e lúdica, com outros colegas, de outras turmas e de outras escolas.

terça-feira, 27 de outubro de 2009

A aula de Inglês

Todos os anos, tenho alunos que mostram alguma resistência inicial às aulas de Inglês, por considerarem que nunca conseguem ter aproveitamento na disciplina. Esses alunos referem frequentemente :"Não vale a pena professora, não percebo nada de Inglês!", "Tiro sempre negativa a esta disciplina!" ou até "Mas porque razão temos de ter aulas de Inglês?". Estes alunos representam, normalmente, um grande desafio para mim. Surgem, de imediato, inúmeras questões que me afectam como docente: Como poderei reverter esta situação?; Quais serão as estratégias mais adequadas para a recuperação dos alunos com maiores dificuldades na língua estrangeira? Como envolver/cativar o aluno no seu processo de recuperação?; Que papel devo assumir como professora? Como devo definir/organizar o meu trabalho com os alunos; etc.
As respostas a estas questões continuam, a meu ver, a assentar no seguinte: a motivação e a laboração constante dos alunos são fundamentais no processo ensino-aprendizagem. Uma boa relação pedagógica, o respeito pelas caracteristicas e interesses dos alunos, a diversificação de materiais/estratégias, o recurso às novas tecnologias e a materiais autênticos, o fornecimento de baterias de exercicios, a promoção de actividades lúdicas, e a representação de situações do quotidiano permitem , no meu entender, a progressiva recuperação e evolução dos alunos.
Esta tarefa não é fácil, pois os alunos trazem muitas vezes consigo uma acentuada falta de pré-requisitos essenciais ao desenvolvimento de novos conteúdos. Contudo, considero que mais importante do que ensinar os alunos é insistir e promover a ideia de que se aprende por tentativa e erro. A tarefa, nem sempre é fácil, mas ajudá-los a aprender deve continuar a assumir o papel essencial de qualquer professor de língua estrangeira.